Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Meu alegre dia cinza.

E toda a chuva daquela madrugada condensou as nuvens do meu pensamento; as cores cinzas do céu formaram um arco-íris no meu coração; a brisa fresca e fria tornou-se amor quente e vivo.
Toda dúvida se esvaiceu em cada pingo de chuva que caiu na madrugada, enquanto eu dormia. As águas escorriam por entre meus córregos, enquanto os sonhos me mantinham com o coração cego, sem saber o que ocorria naquela madrugada dentro mim. Pela manhã, eu ria, sentia em mim o sorriso da chuva, quando molha a terra e satisfaz os frutos da Natureza. Impossível decompor o inefável. Aparentemente indelevéis, aquelas gotas já não estavam na superfície de meus ladrilhos. A alegria daquele dia cinza coloria minhas ações com uma mágica indecifrável, restrita aos Grandes Mestres que acatam pedidos aflitos do coração.
Talvez ainda restem gotículas no subsolo do pensamento, quando num disolúvel devaneio; mas, com o sol em mim, a evaporação torna-se seu caminho único. Assim como é o caminho que canta o verdadeiro amor, único. Sem dualidade ou duelo, encontro no caminho a unidade.



[ Ao som de Eterno Instante, Alexandre Guerra ]
[ Sol, Antônio Dias ]

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Olhar o Tempo e perceber-se nele seria mais angustiante se não por um único fator: a mudança. Não olhe para traz, não me impulsione a olhar para o passado, para aquelas tristezas e alegrias que o vento guarda o cheiro. De certo que não é algo simples, eu mesma, digo-lhe com toda a sinceridade, demorei alguns longos dias para dizer a mim mesma que a melodia acabou, mas veja bem, aquela moça não está mais no piano, seus dedos tocam outros acordes e a sonoridade da melodia lhe parece mais bela, embora ainda não tenha construído uma sinfonia como a que já havia criado, é bela, e isso, em si, basta-lhe. Não é que eu queira que aquele piano seja jogado, descartado, mas um bom lugar na sala de lembranças já seria o bastante, não precisa tocá-lo, pois que reviver toda a sinfonia talvez não produzisse tão bela e intensa sonoridade quanto antes. Ousaria dizer que é tarde e a sinfonia saiu dos ouvidos da moda, mas não, não é bem assim, nunca é tarde, mas é questão de escolha e, pensando agora, paciência e esperança. Sim, pois que o piano ainda está conservado, mas os dedos já estão cansados da mesma sinfonia. Sim, o piano de uma sinfonia só... Talvez todos nós sejamos pianos de uma única sinfonia, não sei. Mudamos alguns tons e pensamos produzir algo novo; é, talvez seja o pessimismo que arrebata o meu pensamento e toca músicas escuras em meu ouvido. É, Quem sabe, se a moça e aquele piano se encontram pra uma diferente sinfonia? Quem sabe os acordes estão mudados e haja novos instrumentos na orquestra? Quem sabe... Eu não sei. Limito-me ao Agora, ao novo instrumento que tenho em minha frente e à vontade que tenho de descobri-lo plenamente, em todos os sons, cores e sabores.
--
Kandinsky,
Beleza russa em meio a uma paisagem.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Ao meu pássaro branco


Canta, canta, meu pássaro branco
Assobia o teu canto de amor
Quero ouvir do alto das montanhas
As ondas que me trazem teu calor

O teu vôo leve e sereno
Contemplo com luz no olhar
Teu bater de assas ao vento
Me leva pra outro lugar

És de infinita beleza
Tens nos olhos a firmeza
De quem voa sem tristeza
Para enfim se encontrar

--
Foto de Rubens Nemitz
A Primeira Sinfonia

Terça-feira, Outubro 27, 2009

BelezaSonora

Solta teu riso,
Vem colorir o astral
De amarelo e vermelho,
Vibrantes em sintonia total.

Floresce a alegria,
Seja noite ou seja dia,
Pois que a aurora das cores
sempre te irradia.

Vê, não há descontentamento,
Pois que só há o amor e a felicidade
Te trazendo mais pra dentro.


Odetto Guersoni, Mandala VIII, 1972.

Terça-feira, Setembro 29, 2009

Emboscada na noite.


Havia treva e a Luz das Estrelas ainda não havia chegado com Força naquele pequeno coração envolvido. Procurando um comprador, aproximou-se e disse ao segurança do estabelecimento:
- Quer? Por um real.
Os olhos daquele homem encheram-se de lágrimas.
Na memória, suas duas filhas, uma de oito anos e a outra de sete:
- Cadê a sua mãe?
- Ah, não vai querer não?
E saiu, rua à fora, a procurar com os olhos cegos um comprador.
Ele acompanhou os passos da vendedora, esperando o que nem sempre é óbvio.
Na rua negra, logo mais à frente, ela levanta a saia e pergunta a um dos garis:
- Quer? Um real.
Ele tira do bolso a moeda e a leva para a escuridão.

Oito anos de idade.

Na gradação do Caos aos Cosmos, meu coração ainda não havia captado tamanho estrago.
E o impulso por Trans-Formar-a-Ação aumenta.
Só aumenta..

No canto do Amor, que a Voz dos corações tenha muito, muito, mais Força e Luz.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Embriaguês.


A Força é Sutil, bem sutil.
Está estampada nos olhos do matador, nas mãos dos corruptos, na estupidez dos pais, na faca em sangue. Ainda está em mim e em você: sutil.
Criticam os políticos que tiram nosso dinheiro, apontam para o ladrão, atiçam o próximo tapa, julgam as esposas infiéis, xingam os homosexuais, repudiam o pobre.
Cegos, todos nós, em maior ou menor grau.
Enquanto se olha para fora, perde-se o centro de si. Embriaguês móbida.

Quanto de mim há no estrago que tu fizestes no corpo daquela jovem?

Raros são os que se questionam. Raros fazem a dialética com o alter, raros... Porque os olhos físicos não fazem o que só o Coração é capaz: olhar a si no outro.

Se assim o fizéssemos, a embriaguês não teria feito tanto estrago na sua/nossa evolução.
O alcóol quente e sensual não faria tanta diferença.
Desperto, o ser não atrasa o seu próprio DesEnvolvimento.

O que me alegra é a Dor.
"O Perdão vem pela Dor".
O Perdão pelo mal que se fez.
O Perdão pelo mal que não se evitou.

Diante de tamanho estrago,
tão maior a Dor quanto seja o Perdão.
Que assim seja.





--
Fotorafia de JP Corréa Carvalho, Bottle Focused.

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Na solidão


A noite caminha serena o seu caminho solitário. Sou solidão com ela e não sou. A solitude é nossa e não é. O Caminho escuro por onde ando tem o Brilho das Estrelas, a reluzente claridade da Lua e a solidão.
A minha Luz já não é tanta e a solidão enegrece. Quero o Brilho incessante que vem das Altas Estrelas, Nobres Luzes no manto Celeste; por isso é que meu Brilho, que também é parte do Teu, clama pelo Verbo:
- Vem! Com-partilha comigo esta noite. Quero o resplandecer do Mar e das Estrelas, teu Brilho aluminando meus olhos, sentindo tua Luz. Sim, isso me basta; porque assim vejo o Mar, as Estrelas, a Lua e todo o Universo presentes com mais Força. Assim, bem assim.
Porque na solidão o Brilho não é tanto, a Luz não é tanta e, mesmo que fosse, não seria...
Porque na solidão o Brilho não é tanto.